No terceiro ano ginasial tive uma professora de Geografia - lamentavelmente já não lembro seu nome - que foi para mim um marco geodésico, com perdão do símile...
Em uma aula a respeito do Saara, ela lembrou-se de recomendar à turma a leitura de "Terra dos homens", de Saint- Éxupéry.
Em casa de meus pais haviam alguns títulos desse autor, em francês, e eu disse a meu pai que gostaria de ler aquele livro. Não tardou que ele o comprasse para mim, em português, naturalmente...
A primeira tradução foi de Rubem Braga. A Obra de Éxupéry já está em domínio público, e outras traduções já foram feitas.
Eu, é claro, já havia lido "O Pequeno Príncipe", que se passa no cerne mesmo do deserto. Mas "Terra dos Homens" lançou uma nova luz, mais concreta (mas não menos poética), a respeito das vivências de Saint-Ex. como um dos pioneiros no correio aéreo. O livro é uma elegia, uma reflexão sobre o ofício do aviador, uma elegia aos ofícios (como em "Cidadela", que eu, tempos depois, folhearia sempre e sempre ao acaso, tal se faz com a Bíblia).
Posso aqui fazer minhas as palavras de Fernando Pessoa/Bernardo Soares em seu livro "Livro do desassossego" quando relata a emoção de ler pela primeira vez um trecho de Vieira, e dizer que jamais o poderia ler como da primeira vez, como o rio heraclitiano...
Essas linhas me foram inspiradas pelo Dia do Professor. Posso afirmar, sem erro, que aquela Mestra lançou uma semente em terra fértil, no meu caso. Um grão de mostarda quiçá despercebido de muitos a meu redor, naquele momento. Gosto de imaginar que outros colegas tenham também lido o livro. E que esse livro tenha indicado a eles horizontes mais amplos, como a mim.
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