sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Uma ilustração



Da amiga Rita Roquette de Vasconcellos. Meu livro 'Poemas' está aí representado.

sábado, 23 de agosto de 2014

À espera dos bárbaros
Konstantinos Kaváfis




À ESPERA DOS BÁRBAROS

O que esperamos na ágora reunidos?

      É que os bárbaros chegam hoje.

Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?

      É que os bárbaros chegam hoje.
      Que leis hão de fazer os senadores?
      Os bárbaros que chegam as farão.

Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?

      É que os bárbaros chegam hoje.
      O nosso imperador conta saudar
      o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
      um pergaminho no qual estão escritos
      muitos nomes e títulos.

Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos
de ouro e prata finamente cravejados?

      É que os bárbaros chegam hoje,
      tais coisas os deslumbram.

Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?

      É que os bárbaros chegam hoje
      e aborrecem arengas, eloqüências.

Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?

      Porque é já noite, os bárbaros não vêm
      e gente recém-chegada das fronteiras
      diz que não há mais bárbaros.

Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! eles eram uma solução.
                    [Antes de 1911]

domingo, 22 de junho de 2014



Abajures de cabeceira. Base em cedro e jacarandá.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

SS Bremen

File:Bundesarchiv Bild 102-11081, Schnelldamper "Bremen".jpg
http://en.wikipedia.org/wiki/SS_Bremen_(1929)

Esse magnífico navio alemão fazia a travessia do Atlântico e tocava a América do Sul. Nele minha tia-avó Claire De Jaegher viajou à Alemanha às vésperas da II Guerra. Foi uma das últimas viagens desse glorioso Fita Azul em tempos de paz. Em Hamburgo o passaporte de minha tia, para fins do regresso ao Brasil, foi visado por ninguém menos que Guimarães Rosa, servindo então no Consulado brasileiro naquela cidade. Seu livro (póstumo) Ave, Palavra abre com um texto que se chama O Mau Humor de Wotan, onde nos conta uma história humaníssima de sua passagem por lá. Vale conferir.