quinta-feira, 27 de agosto de 2026

AS PALAVRAS


São como um cristal,

as palavras.

 Algumas, um punhal, 

um incêndio.

Outras,

orvalho apenas.


Secretas vêm, cheias de memória.

Inseguras navegam; 

barcos ou beijos,

as águas estremecem.


Desamparadas, inocentes,

leves.


Tecidas são de luz

e são a noite.

E mesmo pálidas

verdes paraísos lembram ainda.


Quem as escuta? Quem

as recolhe, assim, cruéis, desfeitas, 

nas suas conchas puras?


Eugénio de Andrade

Nenhum comentário:

Postar um comentário