segunda-feira, 9 de julho de 2012

O futuro de Niterói

Carta encaminhada por Telma Miranda, (caffeletterato.blogspot.com.br), que reproduzo.


Car@s amig@s, publico carta encaminhada a Felipe Peixoto, Rodrigo Neves, Sérgio Zveiter e Heitor Fernandes pelo futuro de Niterói.

Carta Aberta Pelo Futuro de Niterói
Está em discussão no Conselho Municipal de Políticas Urbanas (COMPUR) a minuta de um projeto de lei que altera os parâmetros urbanísticos em diferentes regiões da cidade para a construção de hoteis, pousadas, resorts e afins. O projeto seleciona áreas em diversos bairros como Piratininga, Boa Viagem, Charitas, São Franciso, Centro etc. e redefine as regras para construção destes empreendimentos em arrepio de toda a legislação em vigor, inclusive os Planos Urbanísticos. Estive na reunião do COMPUR realizada no dia 25 de junho quando a primeira versão desta proposta foi apresentada. Na ocasião nenhum estudo de impacto viário, ambiental ou de vizinhançca foi apresentado.
Este debate está se realizando no ano em que o Plano Diretor da cidade de Niterói deve ser revisado. Os Planos Urbanísticos da Orla da Baía e da Região Oceânica deveriam ter sido revisados desde 2007, e o da Zona Norte desde 2010. Pendotiba e toda a Região Leste seguem sem Planos Urbanísticos. Niterói está cada vez mais paralisada em um trânsito insuportável que tem relação direta com o processo de verticalização da cidade efetuado por diferentes governos em associação com a especulação imobiliaria.
A irresponsabilidade dos prefeitos e da Câmara de Vereadores em apresentar leis casuísticas visando beneficiar grupos econômicos já levou Niterói à situação lamentável de se ver com o trânsito completamente paralisado por uma promoção de um supermercado construído em lugar impróprio. Esta Lei de Hotéis tem o potencial de multiplicar este tipo de situação, comprometendo ainda mais a mobilidade de nossa cidade.
Em algumas regiões, a Lei permite que sejam construídos empreendimentos de até 30 andares, como por exemplo no Centro da cidade. Em outras, como Charitas, a Lei permite mais que dobrar os parâmetros atuais, passando de 8 para 20 andares. Há ainda absurdos como o da Boa Viagem, onde a Lei permite construções de 12 andares, enquanto hoje são permitidos apenas 2; com isso, acaba com um dos mirantes mais frequentados de nossa cidade e preservado por lei, sancionada pelo próprio Jorge Roberto Silveira.
Não ha dúvidas de que a aprovação desta Lei será um golpe de casuísmo com um resultado nefasto para o futuro de Niterói. Um hotel de 20 andares está sendo construído no Ingá e vai aumentar consideravelmente a oferta hoteleira na cidade, além de causar um impacto desmedido na vida e mobilidade das pessoas que moram e circulam por este bairro. A quem interessa esta lei?
Estamos em pleno processo eleitoral e o atual prefeito sequer está buscando a reeleição, então caberá ao novo prefeito, em conjunto com a nova Câmara de Vereadores, rediscutir toda a legislação urbanística. Com o intuito de permitir o debate democrático e preservar o futuro de Niterói, dirijo-me a população de Niterói e em especial aos candidatos Felipe Peixoto, Rodrigo Neves, Sergio Zveiter e Heitor Fernandes propondo um compromisso de todos os candidatos a prefeito de Niterói em encaminharmos ao COMPUR, à Câmara e ao atual prefeito um pedido de que a Lei de Hotéis seja retirada de pauta imediatamente. Convido a todos que estejam presentes na reunião do COMPUR a realizar-se na segunda-feira, dia 09 de julho às 19 horas nas prefeitura, quando está previsto que o projeto seja votado.
Assim, o futuro prefeito poderá promover com o COMPUR, a Câmara de Vereadores e o a população de Niterói o debate de conjunto sobre o Planejamento Urbano da Cidade, inclusive inserindo mecanismos como plebiscitos e referendos para consultar a opinião da população.
Aguardamos com urgência um posicionamento dos candidatos.
Flavio Serafini - PSOL

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Uma ótima notícia !

A Imprensa Oficial do RJ mantém uma livraria no Poupa Tempo do Shopping São Gonçalo, onde se pode comprar livros novos a R$2,00 (dois Reais)! Limitado a dois livros por cliente/dia.
Vale conferir.
Aliás, o Governo está de parabéns pelo Poupa Tempo. Ao menos...quanto a isso.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Livros no Sertão

Vale visitar revistapiaui.estadao.com.br/edicao-65/esquina/livros-brotam-no-sertao , a partir de link de Carlos Machado.

Imagem colhida alhures na Web.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Uma geometria ancestral




Silêncio de roça ao meio-dia. Já não se ouvem os apupos dos homens guiando o arado – eia! boi; vastra, boi! Os bois, à sombra do umbuzeiro, ruminam sonolentos, libertos por algum tempo da canga. Os sulcos ainda há pouco abertos, expondo o negro úmido da terra revolta, tornam-se agora cinzentos, quebradiços. Aqui e ali, os quero-queros colhem os insetos, que buscam abrigo cavando o solo pressurosos, atordoados de tanta luz e secura. Os homens foram para casa. Até às duas da tarde o campo é território interdito, entregue à luz a prumo, à luta de vida e morte entre pássaros e insetos e ao repouso do gado.
             Os homens chegam à soleira do alpendre e se descalçam, tiram os chapéus. No tanque, de onde escorre pelas bordas uma água fresca e limpa, banham-se os rostos, os antebraços, os braços. No soalho de pinho, limpo e lustroso, ressoam seus passos; a chaleira na trempe já está na temperatura correta, a cuia de mate preparada, a comida sendo ultimada. Sentam-se dois a dois em cada um dos bancos ao longo da mesa. De boca em boca passa a cuia: pai, filho mais velho, o do meio, o caçula. A mãe senta-se ao lado do caçula. Ela sorve uma cuia e vai tratar de servir a mesa: arroz, feijão vermelho, frango cozido, batatas e repolho. Apenas o arroz foi comprado na venda do Germano. E o sal.
            Voltam os homens para o campo. O sol ainda arde nos ombros, mas os bois, fartos de ruminar, aceitam a canga e pelo vale ecoam novamente os apupos: eia! boi; vastra, boi! Vão assim cobrindo de feridas as encostas íngremes e pedrentas, feridas que ao cicatrizar guardam as esperanças do ano que virá, depositadas com fé, suor e resignada tradição.
             Quando aquele que também fabrica os arco-íris se cansa de dardejar os homens, eles atrelam os bois à carroça, embarcam o arado e se vão para casa. Chegam ao arroio e param antes de cruzá-lo, para dar de beber aos bois.
             Já está escuro quando pisam no terreiro; no curral, a mãe faz a segunda ordenha, alumiada por um lampião a querosene. Na cozinha, o fogão aquece o jantar e a chaleira para o mate. Nas paredes caiadas, de emboço grosseiro, onde as traves escuras de madeira desenham uma geometria ancestral, as chamas no fogão projetam luzes e sombras; uma folhinha de cromo comercial, onde João Paulo II abençoa a todos, adeja ao ritmo do fogo; uma moldura oval mostra o retrato do casal, há muitos, muitos anos; em outra moldura, pequena, retangular, a mãe estreita um bebê, uma menina. Presa a essa moldura uma flor, a cada dia renovada.